A experiência de Marcos na Índia, 2011

Un grupo de jóvenes posa sonriente ante un monumento de piedra rodeado de palmeras en un jardín de la India

1 CARTA

Enviada de um teclado sem acentos

Saudacoes da India!

Andamos com pouco tempo, por isso aproveito para vos despejar a conversa toda hoje, e depois ja vos irei conta’dno mais pormenores. Visto que este teclado do seculo passado funciona pessimamente, tenho desculpa para todos os meus erros.

Chegamos na quarta-feira a noite e, mal chegamos, comprámos um taxi pre-pago no aeroporto. Ao sair, a procura deles, vimos um cartaz «prepaid taxis» e fomos, mas nao era mais do que 30 indianos a espera de clientes. Portanto, trinta tipos estavam a discutir em bengali o que fazer connosco e nos sem perceber nada, cagados de medo. Era de noite mas havia alguma luz nas ruas, e a emocao inicial por estar num pais exotico foi-se transformando em impressao. Cheira pessimamente, a cidade esta cheia de lixo e nao ha edificios com mais de 15 metros. Como estao todos meio a cair, nao ha ninguem que viva nas suas casas, vivem todos na rua, estendidos, espalhados pelos passeios, em cima de carros e sempre rodeados de moscas. Parece (sobretudo a noite) que estao todos mortos.

No dia seguinte acordamos as 5 para ir a missa das 6 na «mothers house», que e a «sede» das irmas da caridade, lugar onde esta sepultada a madre teresa. O percurso fizemo-lo a pe, e foi um passeio de quinze minutos em silencio. Nao exagero se vos garantir que o tempo todo cheira a merda, a lixo, a podre e a fritura das coisas que se cozinham, e enjoa que nem imaginam. Ha fugas de agua com as quais se lavam de manha. E limpam-se todos mal se levantam. Dava vergonha passar por ali: por um lado, os ricalhacos a passear na rua deles, e eles a acordar como todos os dias rodeados de lixo. Nao param de olhar para nos, sobretudo se vamos com raparigas, e o olhar deles nao deixa de intimidar muito, e como se estivessem a gritar por dentro mas ja nao o deitassem ca para fora, como se ja tivessem desistido de tudo, ja que nascem, vivem e morrem na rua. Todas as bancas de comida sao de 2×2 metros, numa especie de armarios que se abrem nas laterais das ruelas onde estao os indianos a vender fritos estranhos.

Definidos os cheiros e mais ou menos o que se ve, agora a banda sonora: corvos e motas, nao ha mais nada; as motas e os taxis, que em espanha levariam 2 ou 3 pessoas, aqui levam 10 pelo menos e andam a toda a brida. Como quase nao ha policias e nao ha codigo da estrada, trata-se da lei do «quem tem mais tomates e se desvia mais tarde» e vao tao a risca que mete medo, nao te podes chegar a janela com medo de levares com alguma coisa. Os homens andam de saiote e as mulheres estao sempre atentas as criancas, que costumam andar nuas. Sao do national geograpic total: sujos, com cara abananada, descalcos e a pedir dinheiro. E depois so cães abandonados a remexer por ali com cara de doentes.

Nao e so uma questao de pobreza, ha aqui um problema cultural, sao sujos e desleixados e nao se preocupam com nada, cada um anda na sua. Nao paras de ver criancas abandonadas por ali e, as vezes, algum cadaver no chao, e ninguem quer saber, ninguem. Prometo-vos que o olhar deles e um drama. So te sorriem se forem vendedores, o resto do tempo olham para ti com cara de zombie total. E triste o panorama, muito triste. Ja levo 5 ou 6 dias aqui e nao te habituas a nada, nem ao cheiro, nem ao panorama, porque ha sempre um olhar matinal que te tira a brincadeira de repente.

Estamos a dormir numa casa de jesuitas que nos acolheram. Os quartos sao duas camas de metal com almofadas que parecem pedras, e uma ventoinha, que, acreditem, e como um hotel de 5 estrelas por aqui. Como estamos num edificio, o cheiro nao chega tanto e consegue-se sobreviver de noite. Isso sim, passa-se o dia TODO a suar, um assado. E uma loucura, acabas com as t-shirts a escorrer.

Contar-vos-ei mais coisas do panorama quando chegar, mas ja podem fazer uma ideia.

Somos um grupo de 24, quase todas mulheres. A maioria do grupo sao alunos do meu tio, gente de valencia e castellon muito porreira. Como dizia, fomos a Mothers House e ficamos de pedra: no meio da cidade do caos, da pobreza e da doenca, elas tem uma casa grande mas humilde, muito muito bem cuidada. Isto e um traco comum em todas as casas das freiras, estao muito cuidadas e estao continuamente a limpa-las. As 6 fizemos missa com elas, e pela janela ouvia-se toda a barafunda de buzinas e corvos, mas ainda assim as cancoes que elas cantavam ouviam-se e eram tremendas, muito bonitas. Surpreende como se elogia a obra delas, e no fim de contas trata-se de um punhado de 40 freirinhas que repartem entre si o trabalho e o cuidado das casas de acolhimento. A maioria com metro e meio e ja de idade, mas cumprimentam-nas com um respeito que impressiona.

Tem 5 casas espalhadas pela cidade onde acolhem pessoas com doencas diversas. No primeiro dia ja nos atribuiram casa. A mim calhou-me uma casa que fica nos arredores da cidade, com outros 9. Temos de apanhar o comboio e um taxi todos os dias, e em 2 horas chegamos. A nossa casa e Kirk Angola, e e de tuberculosos. E uma casa linda, com um jardim muito bonito. nHoje, por exemplo, foi um dia de trabalho intenso. Calhou-me lavar alguns doentes, a maioria esqueleticos e paraliticos. Nao e facil, ao principio da bastante nojo, tal e qual, porque a casa dos duches cheira a merda que nem imaginam. Muitos mijam e cagam no chao porque nao se aguentam de pe, e e preciso limpar. E depois ha que molha-los, esfrega-los com sabao, seca-los, vesti-los, cadeira de rodas e para o jardim.

Quando me meteram a lava-los fiquei sem respiracao, mas um nepales esteve a trabalhar connosco a ensinar-nos como se faz, e ficamos de boca aberta. Tratava-os de uma forma impressionante. Via-se como gostava deles. Limpava-lhes ate as feridas. Depois falamos com ele e ficamos pasmados. A madre teresa recolheu-o. Era paralitico, e pouco a pouco foi-se curando e recuperando movimento. Dissemos-lhe «Porque e que es capaz de fazer isto? Porque e que o fazes?» e o tipo diz-nos «porque a mim fizeram-mo». E uma novidade tremenda o que significa o acolhimento das freiras; so comecam a olhar-se de outro modo se entrarem numa dessas casas, e sao amados. Nao exagero se disser que as freiras sao um mundo a parte nesta cidade. A beleza de que precisamos de ver para nao nos afundarmos no dia a dia esta nas casas de acolhimento das freiras. Ali o olhar e outro, e de ternura, de preocupacao e de alegria. Dentro, toda a gente te cumprimenta com um «jiesu pronom» ou algo assim, que e «ola em cristo», mais ou menos. Os que estao ha mais tempo na casa sao diferentes, falam-te da madre teresa com uma alegria tremenda, e ocupam-se a fundo dos outros. Estive a cozinhar com eles e sao uns craques. Disseram-me qualquer coisa dos porcos (tem alguns na casa) e temo que seja algo de matar um, espero que nao me enrolem. Como estou com os homens, vejo pouco as freiras, mas sao os proprios «doentes» que cuidam uns dos outros. Sei que me repito, mas ao ver como somos inuteis e lentos, mais vale reparar em como eles trabalham e cuidam dos outros. O contraste com a forma como olham para ti fora das casas torna mais forte o olhar das pessoas de dentro. O que faz com que gostem de ti.

Como estamos tanto tempo juntos, o grupo de 10 esta a ficar muito amigo; estamos eu, o meu tio, a miras, o alex, a marta, o javi garcia, o carlos e tres de valencia. Ontem descansamos e foi um espetaculo. O Yago insistia em que o alex e a miras contassem a sua historia aos outros, e acabamos a falar durante quase 4 horas, no unico bar com cerveja e ar condicionado de calcuta, a contar uns aos outros como cada um vive a sua fe. O carlos e estas 3 raparigas estao a colar-se muito a nos, e estamos a divertir-nos imenso e a discutir muito.

Vao ficar passados com tudo o que esta a acontecer ao alex por aqui, e um riso constante, que personagem.

A tarde rezamos com elas e descansamos um pouco. A oracao torna-se basica aqui. De qualquer forma, esta a custar-me a oracao. Fico sem palavras quando entro na capela da «mothers house». Trago uma confusao tremenda ca dentro. Aproveito para falar todas as noites com o meu tio, para falar de como estamos e para dar clareza ao dia. Porque a serio vos digo: nem ver milagres esta a ser «suficiente» para mim; sinto falta de ser mais consciente de que Deus me ama, tal e qual, espero que se perceba. Noto-o em como ando a tarde, como que impaciente, queixinhas e serio; descubro-me tao necessitado do amor que acontece com as freirinhas como as pessoas das casas ou da rua. Talvez gracas a isto, as conversas com o meu tio tornam-se mais fortes. Esta a ser interessante ver como a unica forma de descansar das minhas «ruminacoes» e das minhas preocupacoes e quando me meco com o meu tio. Torna-se-me necessario que ele acolha cada dia como estou, e ele fa-lo.

Contar-vos-ia mil e uma coisas mais, mas isto e o primeiro que me vem a cabeca num ciber de 10m quadrados, com um indiano feissimo e que cheira mal colado a minha esquerda. Pecam muito por mim, para que isto me ajude a crescer nem que seja um pouco na fe, porque senao nao tera valido a pena a viagem. Um abraco a todos!

Conhecemos e falamos com alguns: John, winsten, niami, milan, mjumbanem…

2.ª CARTA
> Saudações da Índia!
> Muito obrigado a quem me respondeu, não tenho muito tempo, por isso já vos mando outra parrafada.
> Depois do que vos contava, estivemos mais uns dias na casa dos tuberculosos, conhecemos um «dos meninos da madre Teresa». São todos órfãos recolhidos pela madre Teresa; ele agora tem 38 anos e trabalha na casa dos tuberculosos. Não se cala, não pára de falar da Bíblia, sabe mais do que todos nós juntos. Fala da «sua mãe» e conta-nos cada coisa que ela lhe dizia, como o educava, como lhe procurava escola. Contar-vos-ei com mais pormenor porque não tem desperdício. Mas é que a «cereja» é outra coisa.
> Uma religiosa da mother house abordou-nos no dia seguinte para propor algo a sete de nós: tratava-se de ir a uma leprosaria que fica nos arredores de Calcutá, a 5 horas de autocarro, para trabalhar como voluntários, dormindo e comendo lá, claro. Que dia aquele em que nos disseram, todos mortos de medo na hora de decidir quem ia. Iam caindo como moscas. No fim fomos o Alex, a Silvia, três de Valência, a Greta e eu. Não dormi nessa noite, imaginava o panorama tipo filme de terror, com as «peles penduradas e tal». E cada coisa que nos contavam complicava as coisas: que é mais ou menos na montanha, onde há muita aranha e cobra… que a luz se vai a cada dois por três e é preciso andar com velas… Enfim, o Alex e eu já imaginávamos as noites por ali, com zombies a passear pela quinta. Também nos contaram que era uma quinta do caraças, bonita, e que havia lá uma religiosa espanhola! Por isso animámo-nos.
> Às 4 da manhã de pé, para apanhar o autocarro e pronto. Uma seca de viagem total, mas enfim, à medida que íamos chegando havia menos calor e humidade, e menos ruído, finalmente. Chegámos por volta das 10 da manhã e esperava-nos uma noviça filipina muito simpática numa ambulância para nos levar. A aldeia é Assansol, mas a casa fica a uma hora de carro. Ela já nos ia tranquilizando: «os leprosos não são como os dos filmes». E nada, passámos por uma escola ali ao lado para recolher a religiosa espanhola, que estava com dois miúdos da casa, «ex-leprosos», a tentar conseguir uma entrevista na escola para os meter lá. Entraram ela e os dois miúdos na ambulância e nada, 1 hora a falar com ela. Uma santa, tal e qual.
> Chama-se Sister Maria, depois descobrimos que se chama «Lola». Desde que entrámos na ambulância até sairmos da casa, vimo-la sempre com um sorriso de orelha a orelha. O acolhimento dela na casa foi tremendo, sempre atenta a nós. Mal entrou começou a falar-nos do centro, eu conto. É uma quinta enorme, talvez de 1 km de área, tem 8 blocos de acolhimento de doentes de lepra, 4 de homens e 4 de mulheres, depois uma casa para crianças e outra para dar aulas a gente da aldeia; são bastante autossuficientes, com galinhas, plantações de arroz, vacas… Depois há a casa das religiosas com a cozinha, a capela e o resto. Logo se pôs a contar-nos a história dos rapazes que entraram na ambulância, coisas tremendas. O primeiro chama-se Bisu, abandonado pelo pai, alcoólico, que o acusava de ter matado a irmã mais nova (o pai) e lhe batia; depois o Santu, só disse que era um leproso abandonado. Estes dois rapazes estavam há talvez 12 anos na casa e 3 com a Lola. Depois contou-nos do Gudu, e esta história já é demais: pai alcoólico outra vez, abandonado na selva e feito escravo (!!!), mais tarde lepra, e agora está curado e trabalha na leprosaria para a religiosa. Contava-nos que estava a tentar conseguir que os dois miúdos entrassem na escola e conseguir eletricidade para a casa do Gudu, que agora é casado e tem 4 filhas.
> Bom, ficámos mais tranquilos, logo nos pusemos a contar-lhe o que estudávamos e tal e nada, chegámos. Fomos para o bloco principal, estavam os homens e as mulheres a meio do terço, fazem-no todas as quartas-feiras à tarde, e ela ia-nos traduzindo as intenções que os leprosos iam dizendo. 1.ª intenção mal chegámos: pelos voluntários e pelas suas famílias, que sejam felizes. O Alex e eu já nos olhávamos espantados. A partir daqui foi um delírio, era tudo sorrisos, tudo. A comida genial, dormimos genial, cuidaram de nós mais do que nós pudemos fazer, dava vergonha.
> O dia a dia era levantar às 6 para a missa e a oração, pequeno-almoço, e às 8 a trabalhar. Tínhamos duas opções, curativos (limpar as feridas aos leprosos…) e limpeza. Eu não tenho estômago, por isso limpeza. O Alex e uma de Valência inscreveram-se, e pusemo-nos a trabalhar com o Bisu, o Gudu e o Santu. O trabalho era cansativo e duro, mas foi uma graça. Não deixa de me espantar que grande gesto de amor é limpar para os doentes. Notava-o porque estes três de que vos falo corrigiam-me a cada 2 minutos, sobre como fazer as coisas, dedicar-lhes mais tempo, pôr bem o lençol… enfim, era brutal trabalhar com eles. São gente muito diferente do panorama daqui, muito diferente, olham permanentemente para a Lola como uma mãe, e é mesmo assim, gostam imenso dela. Enfim, estive a tirar teias de aranha e a mudar lençóis durante 5 dias, e sobretudo ver estes tipos foi uma prenda. À medida que vou trabalhando, apesar de não ser como eu esperava (imaginava-me a recolher gente da rua), estou a fazê-lo com mais gosto, cada vez mais consciente do quão «parvo» mas ao mesmo tempo grandioso é deixar as coisas bonitas, algo permanente nas casas das religiosas.
> A relação com estes tipos era brutal, às gargalhadas o dia todo, e às vezes conversas (dentro do entendimento possível) sérias. O Alex voltou muito impressionado destes dias e descrevia na última «reunião» muito bem o que aconteceu com estes três indianos: «é curioso, nascidos em países muito diferentes, histórias muito diferentes, caracteres, línguas e tudo diferente, mas a única coisa que permite a relação que temos entre nós e a única coisa que nos bastou a eles e a nós na vida foi o encontro com alguém que nos ama»; neles, o encontro com esta religiosa. Contar-vos-ei mais destes quando chegar, mas pronto, uns craques.
> Os leprosos não são como pensávamos; agora sim, na casa escasseavam os dedos e as mãos, a lepra ataca os nervos periféricos e insensibiliza-os (eeeeei), provocando feridas profundas que acabam por destruir mãos e pés, por isso quase todos maneta; os mais graves tinham a cara feita um mapa, mas eram poucos. À tarde cantávamos com eles, trocando canções em espanhol e em hindi ou bengali, e todos tocam instrumentos de percussão, pandeiretas, tambores e tal, era quase cómico, mas brutal. A religiosa conta-nos que não se batizam assim tantos, mas que no leito de morte, quase todos. Esta é a primeira coisa que me surpreendeu na religiosa: amava-os a todos por igual; o Santu batizou-se mas o Bisu não, e como filhos seus, não tinha preferência por nenhum. Outra coisa que nos contou é que os blocos dos casos «menos graves» tinham de renovar-se semanalmente, o que implica mandar gente embora, e pelos vistos é um drama. Surpreendeu-me que conhecesse todos os doentes, quando aparentemente é mais fácil não te relacionares com eles, para não sofrer no dia em que é preciso mandá-los embora, mas esta religiosa não tem medo de nada.
> Conto-vos mais sobre ela porque não tem desperdício: é de Madrid, estudou em Salamanca, e era uma festeira do caraças: «que mudança, agora acordo à hora a que me deitava», dizia-nos. Converteu-se no caminho de Santiago, teve namorados que se fartou, e é médica. Destinaram-na para ali de surpresa. Não pára de rir, e faz-te mil e uma perguntas sobre a tua vida. A melhor religiosa de todas, e é espanhola, claro que sim. O melhor de tudo nela é que era uma religiosa absolutamente Humana, de facto mais do que nós. As outras religiosas parece que, como foram umas «sécas» toda a vida, estavam destinadas a esta vida, mas ela quebra os esquemas. Duas coisas parvas pelas quais digo que é humana: uma, porque recordava com alguma nostalgia «as cervejinhas da tarde» de Madrid, e outra porque nos contou que houve um voluntário médico francês, e ela achou-o muito atraente, e contava-nos como ia dizendo a Deus: «Senhor, não sei porque me pões este aqui, já hei de descobrir, mas eu apaixonei-me por Ti».
> E eis o melhor dela: falava continuamente do «seu marido» e ao princípio não percebíamos, e pouco a pouco descobrimos que falava de Jesus. Era brutal, como se houvesse um tipo sentado ao lado dela a todo o momento; sempre que nos contava uma anedota da leprosaria ou da sua vida, ia interrompendo o relato com o diálogo que tinha com o seu marido. E dizia-nos: «eu sou uma mulher que precisa de palpar, e exijo-o sempre ao meu marido, Senhor, ou és concreto e palpável, ou não te vejo». Era brutal; quando nos visitava à noite no nosso casebre, enchia o quarto, crivávamo-la de perguntas (a tua história? porquê esta relação tão estreita com Deus? ver Cristo nos doentes? como é isso?). Que relação tão próxima com Deus, um diálogo permanente. Que inveja dava, levo 5 dias a pedir para ter esse diálogo. Deus não era algo inventado na vida dela, era Tudo, sobretudo os seus doentes. É uma dessas pessoas que te deixam sem palavras. Uma santa. Lembrei-me muito do jantar em casa do Luis com o Tim Guenard, invadia-me o mesmo pensamento nesse jantar e quando estávamos com a religiosa: QUE SANTO!, que atraente é uma pessoa tão próxima de Jesus Cristo!
> Para mim estes dias foram grandes; à noite comentava com o Alex como tinha corrido o dia, e líamos o evangelho, e pensar com ele nas coisas que tinham acontecido durante o dia lançou a nossa relação nestes dias, e encheu-a de pedido. Depois ver esta religiosa, e sobretudo «os seus filhos», que eram milagres com pernas, fez-me ver quão poderoso é Deus, não tem barreiras, pode TUDO. Só precisa de pessoas para entrar neste mundo, e com esta religiosa é evidente.
> Como anedota, que apanhei arroz, e o melhor: descobri que na aldeia ao lado jogam jogos de futebol, e sempre quis jogar rodeado de pretinhos tipo «Thierry Henry» num anúncio da Pepsi; pois bem, foi assim mesmo, o herói da aldeia a marcar golos, tenho as patas destruídas porque jogam sobre pedra e descalços mas valeu a pena hahahaha.
> Tenho muito tempo para rezar, peço pela escola do Luis, o trabalho do Suca e mil coisas mais, mas mandem-me coisinhas e pedirei por vós. Um grande abraço a todos.

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