Nunca mais me deixou

por Inés Agustí

Retrato en primer plano de un joven sonriendo levemente al aire libre, con sudadera y luz de sol de fondo

Ele acolhia tudo o que era a minha vida.
Com esta frase resumo quem era o Marcos para mim. Fiquei comovida.
Um dia expus o meu desejo e a minha dor naquilo que para mim era a Escola de Comunidade, num e-mail dirigido a todos os que então éramos universitários, e o Marcos respondeu, disse-me para nos encontrarmos, que lhe interessava tudo o que eu dizia ali e que queria vivê-lo comigo. Depois do encontro disse-me: «há amigos que te aparecem à frente e outros que a pessoa escolhe, quero ser teu amigo».
Nunca mais me deixou.
A amizade com ele começou por um amor pelas minhas exigências últimas de coração.
O Marcos amava o meu destino quase mais do que eu, a minha vida presente, até queria conhecer as pessoas que faziam parte dela, gostava delas, olhava para elas com uma ternura de outro mundo.

Com o Marcos não nos escrevíamos todos os dias, mas cada mensagem tinha um conteúdo grande, desde um «como estás?» mas daqueles a sério, ou algum trecho de um salmo, carta ou Evangelho que o tinha comovido, despertado, e onde se reafirmava a sua paixão e amor por Cristo como destino da sua vida.
O Marcos queria o meu destino, as suas mensagens e os encontros com ele eram reflexo disso, o Marcos exaltava o meu coração e a minha necessidade de Cristo e, através dele, descobri melhor a natureza do amor de Cristo pela minha pessoa e pela minha vida. Era Cristo que me dizia: «Ei! Estou aqui, não te esqueças».
Com esta consciência fui mais corajosa na hora de tomar decisões na minha vida, não deixando que me invadisse a vertigem nem o medo da solidão, mas apostando na minha felicidade porque Cristo existe.
Para mim, a consciência de que o Marcos continua vivo coincide com os momentos em que volto a reconhecer o Senhor na minha vida, quando me cruzo com alguém que me olha como eu era olhada, amada, pelo Marcos. Então redescubro como a Sua excecionalidade continua presente neste mundo, dou-me conta de que a pessoa do Marcos era instrumento de Outro para chegar a mim em concreto.
Às vezes choro ou sinto vertigem ao pensar que o Marcos não está aqui. Que nunca mais vou ter os seus grandes abraços, que nunca mais o vou ver aqui, fico presa numa imagem do passado, num olhar para o que aconteceu como um menos, porque o corpo do Marcos não passeia pelas ruas de Barcelona.
Peço ao Senhor, e também pergunto ao Marcos: Onde estás?
Por graça, sendo fiel à minha experiência, à minha história, chego à verdade de que na realidade não é do Marcos que sinto falta, ou que a felicidade da minha vida não depende de voltar a encontrá-lo por aqui em carne e osso; de quem sinto falta é de Cristo, é o Seu amor que mendigo.
Gostaria de terminar com esta mensagem que o Marcos me escreveu e que me acompanha dia após dia:
«Ainda que a tua mãe te esqueça, eu não te esquecerei, diz o salmo. Mesmo que me percas a mim, Inés, tens o Amor da tua alma, que é Cristo».

Inés Agustí

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